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O desespero do ME e do governo em relação à avaliação de desempenho dos professores é já por demais evidente.

Até há alguns meses atrás ainda foi possível encobrir para a opinião pública e publicada, através de um bom trabalho da central de comunicação do governo, aquilo que os professores e os seus representantes vinham avisando: este modelo de avaliação, consagrado no DR 2/2008 não presta, é um disparate sem qualquer forma de ser remendado e, a ser aplicado, iria impedir as escolas de prestarem o serviço educativo que é a sua missão.

Por uma questão de teimosia, assente em deficiente formação e informação sobre o que são as escolas, como funcionam e de que forma devem ser avaliadas, a ministra da educação e o primeiro ministro insistiram na ideia de que o modelo era perfeito, exequível e imprescindível para melhorar o sistema educativo e a escola pública.

Como já sabiam todos os que trabalham nas escolas, a continuação da tentativa de aplicar o modelo apenas serviu para demonstrar (como se preciso fosse) que nunca o DR 2/2008 virá a ser aplicado em nenhuma escola portuguesa. Hoje, até a ministra e o governo já sabem que essa é a verdade nua e crua.

Mas em ano eleitoral, um governo que se afirmou pela arrogância e pela pesporrência não tem condições de emendar a mão e fazer o que devia ter feito em devido tempo: revogar o DR 2/2008 e retomar o modelo anterior, enquanto se estudava e testava um outro modelo mais adequado à realidade e às necessidades da escola pública.

O que vai suceder daqui para a frente é que este decreto tem os dias contados. O futuro ministro(a)  da educação do governo que sair das eleições de 2009, independentemente do partido a que pertença, irá revogar este decreto e substituir este modelo. Se tiver bom senso e espírito democrático, ouvirá as opiniões de quem conhece a escola pública portuguesa e tem investigação produzida e publicada sobre as questões de avaliação da organização escolar.

Entretanto, até ao final deste ano lectivo, iremos assistir a uma tentativa desesperada do governo obrigar as direcções das escolas a “fabricarem” uma qualquer classificação dos professores que lá trabalham, sem curar de saber em que moldes e com que critérios as pessoas serão avaliadas. Tudo com base na simplificação que produz um verdadeiro embuste, e em nome da apresentação de uma bandeira eleitoral que o partido socialista quer apresentar em 2009. Tudo isto será acompanhado da respectiva propaganda e da produção de “notícias” para reprodução na comunicação social, a fim de continuar a enganar a população mais distraída e mais crédula.

Cabe-nos a nós professores impedir que o embuste funcione, impedindo que finjam que nos avaliam, e exigindo a aplicação da lei sem qualquer “simplificação” que se traduza em incumprimento do que está prescrito. Ou o DR 2/2008 é revogado, ou terá que ser aplicado na totalidade.