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O caderno do Público dedicado aos resultados dos exames nacionais do ensino básico e secundário contém alguns textos muito curiosos, como já referi em post anterior.

Na página 10 desse caderno conta-se o caso do “Liceu de Chaves”, que é apresentado como um dos mais bem sucedidos do interior do país.

O texto, da autoria de Pedro Garcia, começa com a seguinte afirmação: «A escola é conhecida na cidade por ser a que faz os testes mais difíceis, por ter bons professores e formar bons alunos, sem recorrer a nenhum “regime militar”». Mais adiante faz-se a comparação entre o antigo liceu e um estabelecimento comercial, dizendo que se este último é conhecido por fazer os melhores folares da cidade, a escola é conhecida por ter os melhores alunos e os melhores resultados. A analogia chega ao ponto de afirmar que quem quer comprar um folar para uma ocasião especial, tem que ir ao “Joãozinho padeiro” e quem quer a melhor escola para o filho, só pode pensar no antigo liceu da cidade.

Segundo os seus responsáveis a escola não selecciona os seus alunos, mas há quem acabe por reconhecer que é frequentada sobretudo pelos alunos da cidade e não pelos das aldeias da periferia.

Na verdade, o antigo liceu não precisa de ter critérios explícitos de selecção dos melhores alunos. De resto, uma “piquena” estória, que é contada de passagem no texto, elucida algo sobre os mecanismos implícitos em que assenta essa selecção. É o próprio vice-presidente do conselho executivo quem conta que houve uma mãe com dois filhos que matriculou o que ela considera melhor no liceu, procurando outra escola para o mais “fraquinho”.

Afinal, 34 anos depois do 25 de Abril ainda há famílias que optam conscientemente por mandar uns filhos para o Liceu e outros para a Escola Técnica.

Deve ser esta a escola de qualidade a que se referem alguns dos novos defensores da escola pública, sobretudo os “professores do liceu napoleónico” e alguns dos que emitem opinião na rede.