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Recebi, através da SaladosProfessores (fórum em que estou inscrito desde 2003), um texto que revela na perfeição a qualidade da argumentação pró 15 de Novembro e “anti-platafórmica”.

O texto é da autoria de alguém que não conheço e que está registado no fórum como “Só Rir“, mas que apesar de ter um nick pouco credível, coloca questões de extrema pertinência para quem precisa de decidir qual a posição a tomar nesta contenda (perfeitamente dispensável pelos professores) entre alguns professores internautas e a plataforma sindical.

«Aqui há uns dias questionei sobre os motivos para as escolhas das datas, principalmente da de dia 15, pois não conheço os motivos que levaram à escolah dessa data em particular. Sei que não sou o único com essa dúvida. Um colega enviou ao colega Ilídio Trindade, do MUP – Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, um mail com as mesmas questões.
Foi este o mail:
“Caro Ilídio Trindade,
Relativamente à polémica sobre a manifestação do dia 08 de Novembro versus a manifestação do dia 15 de Novembro, gostaria de lhe perguntar quais são as razões suficientemente fortes para que haja uma manifestação no dia 15 de Novembro. Até agora, não vi no blogue do MUP essas razões. O que vejo é a afirmação de que a manifestação do dia 15 de Novembro já estava agendada antes de a plataforma sindical ter agendado a manifestação do dia 08 de Novembro. De facto, isso é verdade. Mas note-se que o processo de negociação sindical com o ME termina a 14 de Novembro. Então pergunto também o seguinte: será que uma manifestação no dia exactamente a seguir ao fim desse processo consegue pressionar o ME? Por outro lado, supondo que a manifestação a 15 de Novembro independe desse processo, porque motivo foi marcada exactamente para um dia depois do fim dele e não para uma outra altura? Desde já agradeço que me possa responder a essas interrogações e solicito-lhe que possa publicar no blogue do MUP (do qual é coordenador) esta mesma mensagem, a fim de estimular o debate. Tenho a certeza da sua democraticidade nesse sentido.”

A resposta foi a seguinte:
“Caro colega,
Como compreenderá, o tempo para responder ao seu e-mail é muito escasso.

No entanto, vou dar-lhe uma resposta breve, que espero exprima sucintamente o que penso.
A resposta à sua pergunta é simples: Milhares de professores (de Norte a Sul) nos têm feito chegar que APENAS virão no dia 15!
Que devemos fazer? Abandoná-los? Traí-los, como fizeram os sindicatos (é também a minha opinião)?
Ora, nós não estamos contra a manif de 8!!!! Lamentamos o facto de os sindicatos não se terem posto ao lado dos professores (não é de movimentos).
Portanto, que haja a manif de 8. Infelizmente (com mágoa o digo), não será uma manifestação como todos pretenderíamos.
Mais lhe digo: mesmo que os movimentos “desconvoquem” (entre aspas porque não convocaram – foram os professores!), no dia 15 virão muitos professores para Lisboa!
Em face do exposto, creio que compreenderá as razões por que nos JUNTÁMOS (e apenas isso) aos professores e estamos do lado deles!

Relativamente à publicação da sua mensagem no blogue, não o farei, não por uma questão de democraticidade, mas por uma questão de linha orientadora dos nossos “estatutos”. O blogue não é um blogue de discussão (embora ela possa existir e em breve colocaremos um fórum on-line), mas um blogue de um MOVIMENTO de professores. Nele cabem todos os professores, independentemente do que pensem, conquanto a sua acção seja em prol da unidade e mobilização dos professores para a defesa da suas causas e da causa da Educação. No entanto, a sua mensagem é uma mensagem desmobilizadora dos professores. Neste momento, o debate sobre este assunto não é o mais importante, nem se revela de grandes efeitos. Importa, sim, congregar sinergias para que OS PROFESSORES (repito, professores, não “movimentos” se façam ouvir. Os sindicatos têm a sua máquina bem oleada (e ainda bem) e têm andado a pressionar e a tentar demover os professores, no sentido de entrarem no seu “jogo”, quando os professores já lhes “disseram” que não estão a agir em função dos interesses da classe. Os professores não têm (ainda) máquinas! É essa a nossa função e o nosso compromisso para com milhares de professores, de Norte a Sul do País. Eu sou apenas um deles!
Os professores querem manifestar-se com ou sem sindicatos! E querem manifestar-se contra a política da educação . Os sindicatos não têm conseguido demover o ME… Então os professores vão à rua para dizer ao ME que SÃO OS PROFESSORES QUE EXIGEM!
Uma nota final: aconselho-o a revisitar o arquivo do blogue (é grande, embora tenha apenas pouco mais de meio ano!) e a verificar que colaborámos (colaboramos e continuaremos a colaborar) com os sindicatos sempre que estiverem DO LADO DOS PROFESSORES. Não admitimos que alguém tome as decisões que não são da nossa vontade (como aconteceu com o Memorando, etc.)
Um abraço solidário, na luta.
Ilídio Trindade”

Esta resposta levanta-me algumas questões, que coloco aqui pois o blog do MUP não o permite (“O blogue não é um blogue de discussão).

– Afirma que o colega Ilídio que o MUP é uma Movimento de professore onde “cabem todos os professores, independentemente do que pensem, conquanto a sua acção seja em prol da unidade e mobilização dos professores para a defesa da suas causas e da causa da Educação.” No entanto quando são feitas questões sobre os motivos do dia 15, essas questões são consideradas “uma mensagem desmobilizadora dos professores”, pois “Neste momento, o debate sobre este assunto não é o mais importante”. Não serão estas duas posíções contraditórias?

– Afirma “Os sindicatos têm a sua máquina bem oleada (e ainda bem) e têm andado a pressionar e a tentar demover os professores, no sentido de entrarem no seu “jogo”, quando os professores já lhes “disseram” que não estão a agir em função dos interesses da classe. Os professores não têm (ainda) máquinas!” e “Não admitimos que alguém tome as decisões que não são da nossa vontade”. No pós manifestações pretende o MUP reunir e negociar com o ME, em nome dos professores?»

A resposta que Ilídio Trindade deu ao colega que o interpelou a propósito da escolha de dia 15 acaba por confirmar tudo o que já referi sobre a impossibilidade de haver unidade entre movimentos e sindicatos:

Milhares de professores (de Norte a Sul) nos têm feito chegar que APENAS virão no dia 15!
Que devemos fazer? Abandoná-los? Traí-los, como fizeram os sindicatos (é também a minha opinião)?
Ora, nós não estamos contra a manif de 8!!!! Lamentamos o facto de os sindicatos não se terem posto ao lado dos professores (não é de movimentos).
Portanto, que haja a manif de 8. Infelizmente (com mágoa o digo), não será uma manifestação como todos pretenderíamos.
Mais lhe digo: mesmo que os movimentos “desconvoquem” (entre aspas porque não convocaram – foram os professores!), no dia 15 virão muitos professores para Lisboa!
Em face do exposto, creio que compreenderá as razões por que nos JUNTÁMOS (e apenas isso) aos professores e estamos do lado deles!

Como disse aqui e aqui, mesmo que quisessem voltar atrás, os professores que encabeçaram a contestação anti sindical (mesmo que de forma involuntária) não podem fazer outra coisa que não seja apelar à manifestação de dia 15, sob pena de serem tão ou mais traidores do que os dirigentes sindicais que anatemizaram.