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Nos últimos dias os activistas pró-movimentos independentes, e também alguns dirigentes desses movimentos, têm tentado fazer passar a ideia de que a manifestação de dia 8 apenas tem preocupações corporativas, por contraponto à de dia 15 que tem preocupações de ordem ética e deontológica.

Seja o que for que pretendem com tal discurso, o facto é que além de pouco rigoroso (assente em pressupostos falsos), ele acaba por desaguar no discurso que durante três anos nos habituámos a ouvir a Maria de Lurdes Rodrigues, a Jorge Pedreira e a Valter Lemos.

«No dia 15 de Novembro vai haver uma MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES. Noutro dia qualquer, vai haver uma manifestação de sindicatos.»

Esta frase podia ter ser dita por qualquer das personagens que habitam a 5 de Outubro desde 2005. Mas foi escrita por um professor e fiz o respectivo “copy-past” do seu sítio na rede, ainda há uns minutos atrás.

Se isto não é um discurso colado ao do governo e de teor anti-sindical, vou ali e já volto!

Mas continuemos a procurar o rigor. Se no outro dia qualquer, que agora sabemos que será dia 8 de Novembro, vai haver uma manifestação de sindicatos, sendo estes sindicatos de professores, essa será uma manifestação de professores. A menos que os membros dos sindicatos não sejam professores. Daí que o autor da frase quererá ter dito que os sindicatos não representam os professores, porque os seus membros não são professores. O trio ministerial não foi nunca tão longe!

Passemos agora à questão da ética associada aos movimentos.

«A manifestação de 15 de Novembro (…) pretende levar para a rua todos aqueles que contestam as políticas ministeriais na medida em que estas põem em causa a própria essência de um ensino de qualidade e, portanto, o futuro da escola pública em Portugal.»

Mais uma vez convém ser rigoroso. O que quer dizer o autor desta frase com “a essência de um ensino de qualidade”? Quem define a “qualidade do ensino”? A que qualidade de ensino se refere o autor da frase, à qualidade do ensino praticado numa escola como a José Gomes Ferreira, a Secundária do Restelo, ou a EB 2,3 Vasco da Gama, onde o acesso dos alunos é limitado e seleccionado, ou a qualidade de ensino praticado numa EB 2,3 qualquer, de um bairro dos concelhos da periferia de Lisboa?

Mais uma vez convém clarificar conceitos, em vez de produzir discursos barrocos (e bacocos) à volta de meia dúzia de palavras de que se desconhece o sentido, mas que pela sonoridade que têm dão um destaque especial ao seu autor.