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Há dias, no seu blogue, JMA colocou uma interessante entrada sobre as Lideranças Optimistas.

Hoje, no DN online, podemos ler um artigo que menciona um estudo finlandês (ah, a Finlândia!) em que são analisadas as consequências das “boas” lideranças para a saúde dos empregados e para a diminuição do absentismo e das baixas por doença.

Há uns meses atrás, na sequência de uma intensa campanha do governo contra os professores das escolas públicas, foi publicado o DL 75/2008 em cujo preâmbulo se afirma que a opção por um órgão de gestão unipessoal (director) corresponde a um desejo de desenvolver lideranças eficazes, e que possam ser responsabilizadas pela execução das medidas de política educativa (emanadas do governo).

Entretanto, nas escolas, professores, alunos, pessoal não docente e encarregados de educação continuam a ser “liderados” pelas mesmas pessoas que, de acordo com o diagnóstico deste governo, deste ministério, desta ministra e seus secretários de estado, são as responsáveis pelo estado de degradação a que terá chegado a escola pública.

Mais ainda: foi no universo dos actuais gestores escolares (PCE’s) que MLR recrutou os membros do órgão consultivo do ministério(conselho de escolas), que foi criado para “representar as escolas” e, de caminho, procurar substituir os legítimos representantes sindicais.

São exactamente estas pessoas, que em muitos casos já não são professores há muitos e muitos anos (até mais de uma década), mas que ainda não usufruiam do título de “gestores/directores”, que se começam a colocar a jeito para serem os novos líderes fortes e eficazes que o governo quer empossar.

Quantos destes actuais PCE’s e futuros directores reflectiram alguma vez em temas como o que é proposto por JMA? E será que algum irá “perder tempo” a ler o estudo finlandês? Logo agora que todos eles estão assoberbados a preencher a aplicação informática central que a DGRHE colocou online, exactamente porque são os responsáveis locais pela aplicação das medidas de política educativa.

Afinal, MLR e o governo desejam boas lideranças, lideranças optimistas e que se traduzam em efectivos ganhos de qualidade para o ensino, ou está apenas preocupada em contratar capatazes mais ou menos acríticos e acéfalos?

Quando em Novembro os professores voltarem à rua é fundamental não descurar estes aspectos e separar bem o trigo do joio, isto é, saber quem são os professores e quem são os candidatos a capatazes do ministério.