Etiquetas

Do modesto ponto de vista de um profissional da docência, com 30 anos de serviço (mais uns pós para a reforma, contados os anos trabalhados antes de ser professor), uma dúvida me assalta: como sabemos quem são os melhores e como sabemos quem são os piores?

Este é o problema que nos coloca a sentença definitiva do “reitor”. Porque, de acordo com este opinião, que não admite contraditório, é fundamental para a escola sabermos quem são os melhores professores.

Não para que a organização escola cumpra melhor a sua função: transmitir às novas gerações as competências necessárias para se tornarem melhores cidadãos, mas para saber que professores devem ganhar mais e que professores devem ganhar menos.

Neste particular o “reitor” em pouco ou nada se distingue do discurso ministerial, que alavanca toda a política de classificação de serviço na permissa da “avaliação” do mérito.

É contra esta lógica que os professores e todos quantos defendem uma escola pública de qualidade para todos e para todas têm que se bater. Porque esta concepção de “mérito” abstracto nada nos garante sobre a qualidade do processo de ensino e de aprendizagem. Porque sem sabermos claramente quais os referenciais do conceito “melhores professores”, por oposição ao conceito “piores professores”, não poderemos aferir a justiça da atribuição de prémios, sejam eles pecuniários (melhor vencimento) sejam simbólicos (reconhecimento público e institucional).