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… a Ana Henriques (que não conheço, mas presumo ser tão professora como eu) acha que me incomoda ouvir críticas aos sindicatos, à plataforma sindical e em particular ao Mário Nogueira e ao João Dias da Silva.

Devo dizer que tem toda a razão. No contexto da luta dos professores contra este governo, este ministério e estas políticas educativas, acho de uma insensatez inominável que os professores se concentrem em críticas à actuação da plataforma sindical, poupando o inimigo principal que é sem a menor dúvida o governo sócratino.

Isto não me limita na crítica que possa e deva fazer a algumas opções que no passado alguns dos protagonistas sindicais tomaram. Nem me faz um incondicional apoiante de nenhum dos sindicatos existentes. Há muitos anos que não dou qualquer contributo financeiro para nenhum dos sindicatos e/ou organizações de professores.

Por outro lado, o entendimento que tenho da participação cívica e política (enquanto cidadão com responsabilidade social) obriga-me a dar testemunho em defesa de todas as posições políticas e sindicais que me pareçam justas. Por isso estou do lado sindical e profissional contra as políticas neoliberais do PS e do PSD. Por isso defendo formas de regulação da educação que aproximem os profissionais da comunidade em que trabalham e que devem servir. Também por isso me insurjo contra a regulação burocrática e centralista que o novo capitalismo nos impõe, através de um Estado que apenas serve o capital e esquece o equilíbrio social.

Infelizmente, pese embora a eventual boa-vontade de muitos apoiantes de movimentos autónomos de professores, a atomização e consequente enfraquecimento do movimento sindical apenas se traduz num reforço das posições das classes dominantes. No caso presente, no reforço das posições neoliberais do governo de Pinto de Sousa.