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Pegando na proposta que o Ramiro Marques nos apresenta no seu blogue, procurarei dar o meu ponto de vista de forma a contribuir para o debate que também penso ser útil e necessário.

O ponto de partida colocado situa-se na questão de se saber se a avaliação de desempenho deve ou não ser feita entre pares.

Em minha opinião a resposta não pode ser definitiva, dependendo da definição de uma questão prévia: para que serve a avaliação de desempenho?

Se estivermos a falar de uma avaliação em que a componente formativa e de melhoria efectiva do serviço prestado se constituem como o objectivo central do processo, a avaliação só pode ser feita entre pares e terá que assentar sobretudo nos aspectos relacionados com a planificação do serviço lectivo e respectiva execução. No entanto, uma vez que do ponto de vista da administração o essencial é manter um controlo burocrático sobre os profissionais, promovendo a redução dos custos operacionais das “unidades organizacionais educativas” (gíria burocrática modernaça para designar as escolas e os agrupamentos), os avaliadores não são, nem podem nunca ser, pares dos avaliados.

De resto, só o facto de há muito tempo os membros dos conselhos executivos terem deixado de ser verdadeiramente pares dos professores (os que não se eternizam como verdadeiros dinossáurios da gestão são uns incompetentes, que nada fazem sem a benção da DRE mais próxima) permitiu à actual equipa ministerial pôr em prática a legislação atentatória da dignidade dos profissionais, que se abateu em catadupa sobre as escolas.

Foi assente no colaboracionismo dos PCE’s modernaços e dos conselhos pedagógicos sem coluna vertebral que os coadjuvaram, que o ministério fez gato sapato dos professores. Como é natural, quem se comporta dessa forma não pode ser considerada como um par dos restantes professores.

(continuarei)