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O consulado de Maria de Lurdes Rodrigues irá passar para a História da Educação em Portugal como um dos períodos mais negros e mais perturbadores de sempre.

O potencial de devastação de qualquer ideia de Educação ao serviço dos portugueses, e de Política Educativa Pública com um mínimo de coerência, que esta equipa arrasta consigo, é superior a muitos milhões de megatoneladas de TNT.

Tudo porque, tendo-se travestido de tecnocratas da Educação, conseguiram num primeiro momento destruir a credibilidade dos profissionais, arrebanhando com demagogia barata muitos dos arautos do liberalismo, convencidos de que o ministério da educação e o governo tinham um rumo. Foi por isso que durante os primeiros anos das modernices pêéssianas todo o bicho careto, com funções de relevo na comunicação social, se entreteve a tecer loas à ministra e aos seus ajudantes de campo. Foi também por isso que os mais destacados representantes das associações patronais e da alta finança se curvaram perante as formidáveis capacidades da ministra, que ia pôr os malandros dos professores na ordem.

Só que, como diz o poeta, mudam-se os tempos, muda-se a vontade. E os tempos já mudaram, como se vai constatando ao ler e ouvir as opiniões dos tais figurões a quem a comunicação social dá sempre voz.

Nuno Crato, um dois liberais de serviço (escondido sob a capa de cientista apolítico) arrasou há dias a política de avaliação do ministério. Ontem foi a vez de Rui Moreira (por vezes conotado com as tendências liberais do pêésse) vir também afirmar que a política educativa de MLR se destina a asnos. Convenhamos que é forte! Sobretudo se pensarmos que são palavras de alguns dos grandes apoiantes deste ministério contra os malandros dos professores.

E no meio disto onde ficam os profissionais?

Pois bem, ficaremos no terreno para reerguer dos escombros a Escola Pública que este governo e este ministério têm, tão laboriosamente, escavacado. Ainda teremos que continuar a resistir, estoicamente, por mais um ano lectivo. Teremos que impedir que o modelo burocrático de pseudo-avaliação de desempenho, que visa aniquilar a carreira dos professores, acabe com o espírito cooperativo e de sã camaradagem entre os profissionais da educação. Teremos que conseguir ultrapassar, com bom senso e perseverança, os golpes baixos que muitos directores (antes disfarçados de PCE’s) vão desferir, já a partir de Setembro.

Mas acredito que vai valer a pena e que, a prazo, iremos assistir à revogação, se não da letra, pelo menos do espírito desta legislação aberrante que nos foi imposta durante esta legislatura.