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O Paulo Guinote propõe uma reflexão cuidadosa e serena sobre como devem os professores reagir à onda gigante da propaganda pêéssiana que se adivinha a partir de Setembro

Concordo em absoluto com a ideia de que «Há que pensar bem. Há que organizar um tipo de resistência menos convencional. Ter paciência. Esperar pelos erros. Agir de forma progressiva.»

Até porque a experiência de muitos anos no interior do sistema e a leitura de alguma literatura sobre a regulação das políticas públicas de educação nos aconselham a não deitar a toalha ao chão antes de terminado o combate.

Não nos devemos esquecer que existe um carácter compósito nos processos de regulação, o qual resulta mais da regulação das regulações do que de um controlo directo da aplicação de uma regra sobre acção dos regulados. Nesse sentido é de considerar a possibilidade de existirem múltiplas regulações (por vezes contraditórias) às quais o sujeito está sujeito, o que torna imprevisível o efeito das regulações institucionais desencadeadas pelo Estado e sua administração.

Na verdade as acções que garantem o funcionamento do sistema educativo são determinadas por um feixe de dispositivos reguladores que muitas vezes se anulam entre si ou, pelo menos, relativizam a relação causal entre princípios, objectivos, processos e resultados. A multi-regulação daí resultante tem por base a defesa de interesses, estratégias e lógicas de acção de diferentes grupos de actores, por meio de processos de confrontação, negociação e recomposição de objectivos e poderes.

Será explorando as contradições existentes que os professores deverão agir, não esquecendo nunca que os indivíduos e as estruturas, quer formais, quer informais, desempenham um papel fundamental de mediação, tradução e passagem de vários fluxos reguladores que constituem o Sistema de Regulações, uma vez que é aí que se faz a síntese ou se superam os conflitos entre as várias regulações existentes. É aí que podemos e devemos actuar de forma a bater este ministério e este governo, em defesa da escola e do país.