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Já num post escrito há bastante tempo sob o título «A História não acabou» fiz um apelo a que o derrube de Pinto de Sousa não venha a servir para continuar a saga das políticas neo-liberais a que ele apenas deu seguimento.

Se fizermos um pequeno esforço de memória, desde os gloriosos tempos do socialismo na gaveta de Mário Soares que as instâncias de regulação internacional (FMI, Banco Mundial, OCDE, UE, etc.) assentaram arraiais em Portugal e, governo após governo (Cavaco, Guterres, Barroso/Lopes e Pinto de Sousa) as garras do neo-liberalismo se vêm enterrando no quotidiano português.

Nesse pequeno esforço de memória encontraremos alguns momentos de alívio e euforia, baseados em algumas esmolas que nos chegaram via Europa (€€€), mas encontraremos sobretudo uma orientação clara para o futuro dos portugueses no contexto da globalização do capitalismo desregulado e selvagem: cidadãos periféricos e de segunda, prestadores de serviços pouco qualificados aos senhores do dinheiro e aos cidadãos dos países centrais.

É por isso que não posso concordar com um texto que circula há meses nos emails e nos blogues e que recentemente foi retomado pelo MUP, no qual se apela a um simples voto de protesto contra o PS, independentemente de votar à direita ou à esquerda:

Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS:

‘VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA!” NÃO VOTES PS

Se este tipo de apelo pode ser entendido e aceite quando o argumento é usado à mesa do café e por cidadãos pouco informados, já quando se trata de gente com responsabilidades na sociedade, como é o caso dos professores e dos cidadãos que pela sua formação conseguem ver para lá das cortinas de fumo e dos jogos de sombras chinesas com que nos tentam iludir, torna-se imperioso desmontar o discurso e explicar que Pinto de Sousa é a direita neo-liberal travestida de PS.

De resto, se dúvidas pudessem subsistir em alguns espíritos, a notícia de hoje do DN ajuda a perceber porque se alarga cada vez mais o fosso entre os que tudo possuem e os que nada têm no nosso país:

Maioria das propostas do Governo apoiada pelo PSD

Parlamento. Existe de facto um ‘bloco central’ na aprovação parlamentar das leis oriundas do Governo. Os números são indesmentíveis. A maioria dos diplomas (30 em 55) obteve luz verde da bancada social-democrata. Segue-se o CDS-PP. À esquerda, o panorama é exactamente o oposto

Em 55 propostas do Governo, PSD votou a favor de 30

O PSD é o partido que mais vezes vota ao lado do PS na aprovação das propostas do Governo. Na última sessão parlamentar, os sociais-democratas votaram favoravelmente mais de metade das iniciativas que o Executivo de José Sócrates levou à Assembleia da República: de um total de 55 propostas de lei aprovadas em votação final global, a maior bancada da oposição deu o seu acordo a 30.

Os deputados do PSD são também os que menos vezes votaram contra os diplomas do Governo – fizeram-no em 14 propostas. E optaram pela abstenção em 11 casos. A seguir ao PSD é ainda à direita que as leis socialistas encontram maior adesão: o CDS-PP votou 24 vezes ao lado do PS (absteve-se em 16 e votou contra 15).