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Fui, neste fim de semana, ver o filme Tropa de Elite. Gostei muito.

Mas do filme apenas quero reter agora a cena em que o Matias (um preto que sonha ser advogado e entra para a polícia militar para poder financiar os estudos), defendendo um trabalho de grupo sobre Bourdieu para o qual apenas ele tinha “dado duro”, acusa os seus colegas de serem uns burgueses safados que emprenham pelos ouvidos as notícias da rádio e televisão sobre a polícia, o crime e os criminosos.

De facto, independentemente da corrupção policial cruamente denunciada no filme, a ideia de que a generalidade dos meios de comunicação social fazem mal o seu trabalho, defendendo os “verdadeiramente poderosos”, é um facto não só no Brasil, como na maior parte dos países ociedentais em que o deus “mercado” reina acima de todas as coisas.

A notícia de hoje do JN, sobre a sondagem que o jornal divulga, é um tratado de como manipular gente inculta e acrítica:

Numa fase em que é indispensável ao PSD afirmar-se como alternativa credível, não deixa de ser significativo que só 22% acreditem que dispõe das respostas mais adequadas aos problemas que o país enfrenta. Trata-se, é certo, do dobro da percentagem obtida em Fevereiro por Menezes, mas ainda assim manifestamente insuficiente, sobretudo tendo em conta que para 36% dos inquiridos nenhum dos dois líderes tem essa qualidade.
Os candidatos do PS e do PSD estão praticamente empatados no que toca às condições exigíveis para se tornarem bons primeiros-ministros. Porém, feitas as contas, as percentagens são muito baixas. De notar, ainda, o facto de apenas um ponto os separar, quando se trata de apurar se defendem políticas sociais, virtude que Sócrates tantas vezes reclama para si próprio.

É notável que num comentário a uma sondagem, na qual aparecem os resultados que os inquiridos atribuem a todos os partidos com representação parlamentar e em que ainda são contabilizados os potenciais abstencionista e indecisos, o articulista apenas se refira aos partidos do centrão.

Um marciano que tivesse acesso à “notícia” pensaria, com toda a certeza, que em Portugal apenas existem dois partidos políticos.

Claro que é essa a imagem que se pretende passar – só existem duas possibilidades (três na hipótese de uma junção dos dois) de governar o país. Não interessa, aos defensores do status quo, ponderar a hipótese de o que resta de socialismo no PS conseguir correr com os liberais que se apossaram do partido quando o padrinho Soares meteu o socialismo na gaveta. Não lhes interessa admitir a hipótese de o PS um dia abandonar as políticas neo-liberais e governar à esquerda e em defesa da justiça social.

Por isso omitem a pressão que sobre Pinto de Sousa é exercida pelo PCP e pelo BE, fingindo (de acordo com a estratégia pêéssiana) que o alvo a abter é MFL. Como se PS de Pinto de Sousa e PSD não fossem faces da mesma moeda desvalorizada pelos portugueses que pensam pela sua cabeça.