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Hoje resolvi usar a minha tarde para assistir (e participar) nesta iniciativa:

Fazendo uma retrospectiva do debate poderei afirmar que o meu tempo não foi mal empregue, muito embora tenha sido obrigado a ouvir algumas intervenções que me puseram os cabelos em pé.

No entanto, como a importância de alguns disparates lá ditos pode ficar confinada ao espaço daquelas paredes, parece-me mais importante sublinhar os aspectos positivos da iniciativa:

Desde logo as intervenções do Paulo Guinote e do João Paulo Videira, porque centraram o discurso no problema que estava em cima da mesa – a necessidade de desconstruir o discurso do PS em torno de um conceito de “avaliação” errado, não caindo na tentação absurda e suicida de negar a necessidade de avaliar o desempenho para melhorar o serviço público de educação.

Ambos apontaram um conjunto de erros e fragilidades do modelo legalmente em vigor, explicando a importância de lhe resistir e de propôr alternativas com credibilidade e rigor científico, o que infelizmente não foi sugerido pelos dois “representantes” oficiais da ciência presentes na mesa.

O João Paulo Videira apresentou as linhas orientadoras de uma proposta concreta de modelo alternativo para a avaliação dos docentes. Pelo que entendi (não conheço a proposta em detalhe, uma vez que ainda não foi tornada pública), tratar-se-á de uma avaliação dos docentes integrada na avaliação da organização, o que me parece ser um caminho correcto. Ficarei à espera de poder ler o documento, para poder ter uma opinião concreta sobre a sua bondade.

Uma última nota para reafirmar a ideia que tenho de que a regulação local e a regulação de escola se encarregarão de enterrar este modelo burocrático, centralista e economicista de “avaliação” (em bom rigor deveria ser chamado de seriação ou classificação dos professores). Claro que ainda vai acontecer que em algumas (infelizmente muitas) escolas este modelo vai fazer alguns estragos. Durante mais algum tempo haverá espaço para que se cometam injustiças e para que os zelotas de serviço e os candidatos a alguma benesse tentem mostrar serviço. Mas a prazo o bom senso acabará por imperar e, se os professores tiverem a inteligência, a paciência e a preserverança necessárias, a “avaliação” desta ministra e dos seus secretários de Estado não lhes sobreviverá muito tempo. Até porque 2009 é já ali e este triunvirato, tal como o seu “chefe supremo”, o inefável Pinto de Sousa, dentro de pouco mais de um ano serão varridos para o caixote do lixo da História.