Toda a retórica utilizada na promoção e defesa do modelo de avaliação que o ministério quer impor aos professores aponta para uma cultura de competitividade entre os professores. Este modelo opõe-se de forma clara a uma cultura de colaboração e cooperação defendida pela generalidade da literatura e da investigação sobre as boas práticas educativas.

Uma das pedras de toque do modelo governamental é o conceito de quotas associado ao mérito. De acordo com este princípio, a definição de um plafond de classificações de desempenho nos níveis Muito Bom e Excelente justifica-se porque é assim que se passa em todas as actividades humanas e em todas as profissões, sendo pouco natural que a carreira dos professores fosse diferente de outras carreira.

Alguns opinadores mais pressurosos aproveitam até para, de uma forma jocosa, afirmar que os professores não podem todos querer chegar a generais. Claro que como para se ter direito a emitir opinião em qualquer meio de comunicação social não é preciso ter formação de nível superior, nem prestar provas de ingresso e muito menos ser avaliado pelos pares, com quotas pré-estabelecidas, basta que se tenha alguma amizade bem colocada ou um cartão partidário conveniente e vá de atacar “as corporações”.

Pelo contrário, a generalidade dos académicos que se debruçam sobre a Escola e as suas culturas, preocupa-se com a promoção de formas colaborativas de trabalho entre professores, de forma a garantir melhores condições de sucesso para os alunos.

É entre outros o caso de Judith Warren Little que no capítulo “Teachers as Colleagues” do livro «Schools as Collaborative Cultures: Creating de Future Now» afirma:

The advantages of collegial work, as experienced teachers describe them, center on one theme: breaking the isolation of the classroom. Over time teachers who work closely together on matters of curriculum and instruction find themselves better equipped for classroom work. They are frequently and credibly recognized for their professional capabilities and interests; and they take pride in professional relationships that withstand differences in viewpoint and occasional conflict. Cooperation served teachers well as they worked to understand and apply new ideas, methods and materials.