Nos últimos dias, como de resto era esperado, tem-se intensificado a pressão que o ME vem exercendo sobre os CE’s e os avaliadores de cada escola. É o que se pode constatar lendo isto, isto, isto e isto .

A parada está demasiado alta e no ambiente de pré campanha em que Pinto de Sousa já mergulhou, qualquer admissão de que os professores e os seus representantes têm razão seria considerado pelo governo e pelos analistas como um passo para a derrota em 2009. Isso é inadmissível para este 1º ministro e para os seus sequazes.

Por isso os responsáveis do ME adoptaram uma postura muito mais discreta, com menos aparições mediáticas do que nos dias que antecederam a manifestação dos 100 mil. Mas mais discreta não quer dizer menos interventiva. Pelo contrário, as reuniões com os CE’s multiplicam-se e o controle burocrático sobre o andamento do processo de avaliação intensifica-se. Do dispositivo de controle fazem parte fundamental os CE’s e os respectivos PCE’s, que estarão a receber indicações para exigir aos coordenadores a participação activa na aplicação do DR 2/2008, sob pena de terem que ser demitidos e sofrerem sanções disciplinares.

A propósito disto recebi ontem um email de uma colega de outra escola, em que me relatava o seguinte:

«Eu hoje tive um pedagógico de 4 horas… outro. A pressão é cada vez maior, pois mantivemos a recusa de aprovar documentos e de fazer outros com base naqueles princípios. A presidente foi muito clara (apesar das meias palavras): isto não pode continuar ou terá que desencadear mecanismos disciplinares que incidirão, apenas, sobre os membros do pedagógico, já que, de acordo com o decreto, a responsabilidade da aprovação dos documentos e procedimentos é inteiramente do pedagógico (lá não diz que é necessário ouvir os departamentos, a responsabilidade recai, apenas, sobre os coordenadores…)
É bonito quando pensamos que todos os colegas estão envolvidos… e os da minha escola estão… mas quando chegar a hora de pagar a conta e esta recair apenas sobre a meia dúzia que vota contra no pedagógico como vai ser?!?!?!»
A resposta que lhe dei é a que daria a qualquer outro coordenador, de qualquer outro departamento, membro de qualquer outro conselho pedagógico, de qualquer outro agrupamento de escolas em Portugal:
Se alguém tinha dúvidas de que estamos num combate longo, difícil e para gente “com tomates”, desengane-se.

Nesta guerra não haverá prisioneiros: é vitória ou morte.
Por mim a decisão está tomada há muito: Enquanto avaliado irei levantar o incidente de suspeição relativamente à minha coordenadora e a todos os membros da comissão de avaliação. Se entretanto tiver que substituir algum avaliador, de imediato entregarei o requerimento a pedir a suspensão da minha participação no processo. Sempre com base nos artigos 44º e 48º do CPA.
E depois que venha o tal do processo disciplinar, onde usarei como defesa a Lei e o Código. Sempre quero ver os incompetentes dos CE’s, que quando querem dar um “peidinho” vão a correr telefonar para as DRE’s, a serem capazes de invocar algum artigo que refute o CPA.
Tudo o resto me parece ser folclórico, a menos que haja mais 100 mil de barba rija para continuar as manifs semanalmente e para fazer uma greve que pare por completo a maior parte das escolas. Sem que os amarelos consigam receber as criancinhas, enquanto os outros pagam do seu bolso a ousadia e são ridicularizados pelo Pinto de Sousa.