Depois de, no dia 8 de Março no Terreiro do Paço, terem dado uma resposta quantitativa à política píntica de sousa para a educação, os professores lançam no dia 25 de Abril entre Constância e Almourol um desafio qualitativo à Ministra da Educação e a este governo: Discutir seriamente o “estado a que isto chegou”, sem farsas do tipo das referências da ministra às “dificuldades das escolas em aplicar um decreto” ou a um “descontentamento” dos professores que “não querem” ou “têm medo” de ser “avaliados”— aqui as aspas são necessárias porque não se trata de avaliação do que realmente os professores fazem na escola nem de como a escola contribui para a formação de novas gerações.
Para isso, os professores do Núcleo de Sintra “Defende a Profissão”, associados na APEDE, convidam todas as associações e sindicatos, os núcleos de escolas e todos os professores empenhados na mesma luta pela dignidade da profissão e a qualidade da escola pública, a encontrarem-se no lugar central e simbólico que é a confluência do Zêzere e do Tejo, para comemorar o 25 de Abril com uma série de acções simbólicas em que seja celebrado o património natural e cultural, o bom cuidado que dele se faz e o que se lhe vai acrescentando, e em que sejam discutidos, em pequenos fórum, as verdadeiras questões da educação.

Onde as ásperas montanhas do Norte se encontram com as suaves colinas do Sul, e onde pelas águas em que navega a memória das caravelas se entra pelas terras em que correm os rios das nossas aldeias, há quatro anfiteatros abertos no espaço de poucos km, e solicitámos que nos sejam disponibilizados outros tantos espaços fechados; mas, se os meteoros nos forem favoráveis poderemos constituir inúmeros pequenos círculos de discussão nos verdejantes parques que o poder local dos municípios ribeirinhos tão bem tem vindo a arranjar e cuidar.
Estamos a organizar uma descida em canoas desde a barragem de Castelo de Bode até ao Castelo de Almourol, onde será feita uma evocação dos que contribuíram para um Estado em que este encontro é possível, recitando e cantando poemas, desde Camões até Pessoa, desde Zeca Afonso à voz viva de Manuel Alegre… e mais aquilo que a nossa imaginação e capacidade de realização for capaz no pouco tempo que temos para organizar este encontro.
Seguir-se-á uma concentração no Arripiado, onde os participantes poderão fazer um piquenique entre salgueiros ou em amplos relvados nas margens do Tejo. Existe um apoio com churrasco e poderão comprar, no local, bebidas, pão e frutas.

Oportunamente poderão conhecer, no blogue Defende a Profissão, mais detalhes sobre as actividades programadas, modalidades de acesso, locais e horas de concentração, procedimentos de inscrição. Acompanhantes de professores e convidados, eventualmente menos interessados em participar nos debates, poderão assistir a espectáculos ou participar em actividades recreativas organizados pelas autarquias, por grupos culturais e por empresas especializadas em actividades de desporto na natureza (para estas actividades é necessário fazer inscrição e contratação).

Convidamos ainda escolas profissionais, instituições de ensino superior e centros de investigação e de documentação que tenham meios de registo a participarem fazendo o registo audiovisual destes debates e actividades. Para dar um alcance e uma profundidade adequada ao desafio que as necessidades de educação nos coloca, convidamos também os eleitos locais, os que participaram nas movimentações militares de 25 de Abril, alguns políticos retirados, as associações de pais, as associações de estudantes, os professores universitários e outros intelectuais e artistas, assim como, todos os cidadãos mais interessados nas questões da educação, a estarem presentes e participarem nas celebrações e debates.

Estão a ser feitos alguns convites a presidentes de câmaras e assembleias municipais, e a professores universitários intelectuais e artistas para presidirem, animarem e moderarem os debates nos fóruns. Mas não se pretende dar solenidade aos debates. No essencial, o que se espera é que estes convidados contribuam o mais informalmente possível com o seu saber, a sua autoridade e a sua capacidade de reflexão, para debater, em pequenos círculos de algumas dezenas de pessoas, temas como os que abaixo são sugeridos (Acolheremos com agrado outras sugestões).

No caso de muitos convidados não estarem disponíveis para Sexta-feira 25 de Abril, mas estarem interessados em participar no Sábado, 26 de Abril, algumas actividades e os debates desdobrar-se-iam por Sexta e Sábado.

  • Educação e Desenvolvimento Social

(O estado da educação em Portugal e na Europa)

  • Importância estratégica da educação e do conhecimento da história

(O que se espera de um professor?)

  • Sentido emancipatório e função integradora/inclusiva da educação.

(Educação cívica, educação física e educação para a saúde)
(Qual o sentido da cidadania que se forma na escola/para que a escola orienta?)

  • Gestão da escola, democracia e regionalização

(O que é a “comunidade escolar”?)

  • Educação, Emprego e Promoção Social – Educação Cívica e Politécnica

(O que os diferentes sectores da sociedade esperam da escola?)

  • Educação, Cultura Artística e Património

(A escola pública pode ser um lugar de produção da cultura?)
(A temática do património ambiental e construído poderia dar lugar a um desdobramento noutro forum no Parque Ambiental em Sta Margarida, evocando Maria de Lurdes Pintassilgo)

  • Autonomia e desenvolvimento profissional

(Qual o papel das profissões, e do conhecimento, na sociedade?)

Sintra, 29 de Março de 08.
Para saber mais, consulte: Defende a Profissão