Para quem tenha visto com atenção a entrevista que MLR “concedeu” a Judite de Sousa, uma conclusão ficou clara: a minstra não tem culpa de nada nem fez nada que tenha contribuido para o clima de insatisfação dos professores e de perturbação das escolas.

Ao ouví-la (e ouvi com toda a atenção) fez-me lembrar os meus alunos que depois de um qualquer disparate, ao sentirem-se apanhados, começam por afirmar com a maior veemência: «Não fui eu! Eu não fiz nada!!»

Recordemos então que MLR apresentou uma postura conciliadora e compreensiva da revolta dos professores. Fê-lo afirmando que reconhecia que os professores tinham motivos para se sentirem insatisfeitos:

  • Quanto à alteração da idade da reforma – mas aí a culpa é do ministro da Finanças e do ministro do Trabalho;
  • Quanto à estagnação salarial – mas aí mais uma vez a culpa é do ministro da Finanças;
  • Quanto ao processo de avaliação – mas aí a culpa é do SIADAP (ministério da Finanças mais uma vez) e neste caso ela até conseguiu um modelo menos penalizador;
  • Quanto ao acréscimo de trabalho nas escolas – mas aí a culpa é dos pais que querem que a escola cuide dos filhos e da gestão das escolas que tem toda a autonomia para gerir esse dossier;
  • Finalmente, quanto à sua manutenção no cargo – mas aí como a senhora tem um contrato de trabalho com o sr. 1º ministro, é ele que será responsável pela sua continuação ou não em funções.

Com tão pouca responsabilidade não se compreende a necessidade de lhe pagar o salário que aufere.