Há alguns dias atrás escrevi ao sr. João Marcelino, que é o director do centenário DN, tentando corrigir algumas das falsas ideias que ele tem veiculado sobre o conflito que opõe os professores à política educativa deste governo.

Imagino que o sr. João Marcelino seja uma pessoa muito ocupada. Afinal é director de um dos jornais de referência no país. Deve ser por que se trata de um director assoberbado com tarefa tão gigantesca que o sr. João Marcelino não teve tempo de ler o pequeno texto que lhe enviei, já que ontem voltou à carga no seu editorial, tentando mais uma vez resumir toda a vaga de indignação que varre o país de norte a sul a uma questão político-sindical e à malfeitoria atribuível a uns comunistas radicais. João Marcelino não consegue ver para lá da Fenprof e do PCP.

Não quero crer que o problema seja de o sr. director do DN estar ao serviço do governo, ou ser uma espécie de marioneta nas mãos de um qualquer ministro dos jornais. Também não me parece que o problema possa ser a preguiça de procurar outras vozes que não as oficiais. Afinal, quem chegou tão longe no panorama jornalístico nacional deve ter algum mérito que não seja apenas o de ser um serventuário dos poderes instituídos.

É por isso que deixo aqui um apelo ao sr. director do DN para que no próximo sábado, pelas 14h00, seja capaz de ir até à porta do edifício do seu jornal. Aí chegado poderá conversar com centenas de professores que lhe dirão quais os motivos por que estão de luto e em luta pela educação. Poderá também constatar que somos muito(s) mais do que os comunistas do costume, de quem o primeiro ministro se queixa a jornalistas como o director do DN. Que temos um pensamento próprio, que lhe explicaremos com paciência pedagógica e democrática o que está errado nas políticas educativas e que ainda teremos todo o gosto em lhe dar um ideia de quais as alternativas possíveis para melhorar a Escola Pública, ao mesmo tempo que se criam condições para ter em mais escolas mais professores excelentes.