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O DN online de hoje noticia que o PS resolveu entrincheirar-se com os pais e o presidente da república como barricada, para defender a ministra:

o PS oficial vem lembrar que “os ataques feitos à ministra são ataques ao Governo e ao seu programa e não ataques individuais”, como disse ontem ao DN Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista

O porta-voz do PS tem toda a razão quando afirma que a agenda da ministra é a agenda do governo e do PS. Os professores sabem disso perfeitamente e como tal não querem só que a ministra vá embora. Querem acima de tudo que mude a política pública de educação que o governo do PS está a executar.

“Não entendo que seja uma situação grave. É uma situação normal. As reformas vão continuar”, afirmou ao DN. Opinião idêntica tem a JS “sem ilusão de que as reformas não seriam feitas sem esta reacção”. Para Pedro Nuno Santos, líder dos jovens socialistas, “as reformas não podem parar, muito menos porque estamos em ano de eleições”. “As famílias já perceberam que as reformas são vantajosas para os alunos.”

Vitalino Canas e Pedro Nuno Santos aparecem nesta notícia como os garbosos oficiais de um navio a afundar-se. Fazem bem em não saltar borda fora, já que fugir do naufrágio é próprio de ratos.

Porque para as dezenas de milhar de professores que se levantam contra a política centralizadora da gestão escolar, economicista da avaliação dos professores e populista do subsídio à Confap, o fim último terá que ser a derrota do primeiro ministro e da sua arrogância sem sustentação política e ideológica. Por isso acho muito bem que toda a tripulação se mantenha nos seus postos até ao dia do juízo nas urnas, para que o julgamento não seja feito apenas a um ou outro imediato ou grumete, mas sim ao próprio comandante da frota.

É por isso que de um ponto de vista estratégico concordo com Vitor Ramalho quando afirma que:

“A demissão seria um erro do ponto de vista político. O primeiro-ministro não pode fazer isso. Fragilizaria completamente o Governo e passaria a evidência de que sempre que há contestações, o primeiro-ministro cede”

Por mim não quero que ele ceda agora para ganhar em 2009 retomando nessa altura as mesmas políticas.

O caminho que poderá permitir a melhoria efectiva das escolas passa por autonomia efectiva da organização escolar, por descentralização das políticas educativas e não por desconcentração da administração educativa. O que tem estado errado nas sucessivas reformas educativas é que a presença do poder central se mantém asfixiante sobre as escolas. À medida que o sistema tem crescido e o número de escolas aumentado, em vez de descentralizar competências e permitir uma gestão autónoma, os sucessivos governos têm criado delegações hierarquicamente controladas e dependentes do gabinete ministerial.

Foi assim que foram criadas as direcções regionais primeiro e os centros de área educativa depois. Agora, como mesmo assim muitas das decisões escapam ao centralismo burocrático, o governo socialista criou a figura do director unipessoal e plenipotenciário para finalmente poder ter um seu delegado em cada escola. E prepara-se para que os guardas do templo generosamente subsidiados (vidé proveitos da Confap 2006, via Ramiro Marques) controlem de perto este delegado, não vá ele ter ideias autonómicas e independentistas.

Excerto da pág. 15 do Relatório e Contas Confap - 2006