Hoje fui a Alvalade (como acontece quase sempre que o Sporting joga em casa e a equipa consegue convencer-me que vale a pena ‘não ficar em casa’).

Como também é habitual, passei pelo restaurante chinês que existe no Alvaláxia para comer antes do jogo.

Reparei que entre o pessoal que trabalha no restaurante (todos bastante jovens), há várias mulheres grávidas e outras com crianças ainda de colo.Não tenho a certeza de que a lei da nacionalidade que vigora em Portugal conceda a nacionalidade e a cidadania às crianças que aqui nascem sendo filhas de estrangeiros. Receio até que estas crianças que nascem em solo português venham a ter grandes dificuldades para obter um passaporte português. E no entanto todos os indicadores demográficos apresentam sinais alarmantes quando à evolução da natalidade entre os portugueses.

Mas afinal de contas o que é ‘ser português’? Que ideia é esta que temos, que nos permite excluir quem vem de outras paragens trabalhar para o nosso país e aqui contribui com o suor do seu rosto para a economia nacional, mas a quem não reconhecemos direitos de cidadania, só porque tem uma cor de pele diferente, domina mal o uso da língua portuguesa, mesmo quando escolhe Portugal como o país onde nascem os seus filhos?
E ainda temos o ‘desplante’ de nos afirmarmos como ‘um povo tolerante’ e inventor do ‘lusotropicalismo’.