Uns dos problemas com que os governos europeus, em particular os pertencentes à UE, se têm debatido nos últimos anos, tem a ver com as crescentes dificuldades do Estado-providência e a (re)emergência dos valores liberais do mercado.
A forma como o problema tem vindo a ser resolvido na maior parte dos países, tanto por governos de esquerda, como por governos de direita, aponta para uma espécie de “dois em um”, na qual se procura fazer uma espécie de quadratura do círculo, tentando compatibilizar os valores do Estado social com os valores do mercado.
Para o conseguir todos os governos tiveram que recorrer a um conjunto de estratégias, que sendo comuns, determinam uma aproximação política que acaba por dificultar a clarificação ideológica entre partidos que se reclamam de áreas distintas.
Entre essas estratégias é possível identificar as seguintes: ou se tenta redefinir o que se entende por direitos ligados ao Estado-providência (uma questão essencialmente ideológica), ou se consegue um melhor equilíbrio entre a oferta e a procura (com uma maior eficiência na utilização das receitas provenientes dos impostos) ou, ainda, se encontram fontes alternativas de financiamento.

  • No primeiro caso é preciso convencer os cidadãos a reduzir os seus direitos, ou no mínimo a não os aumentar;
  • No segundo caso deve procurar-se um reencaminhamento da procura para o sector privado, criando estímulos para o desenvolvimento deste sector e convencendo os cidadãos de que não perdem direitos, uma vez que acederão a “serviços de melhor qualidade”;
  • No terceiro caso, o que se pretende é atenuar as diferenças entre público e privado, de forma a tornar menos perceptível a distinção entre direitos sociais e individuais, enfraquecendo os valores do Estado-providência.

Segundo A.J.Afonso num artigo publicado na revista Educação e Sociedade, em Dezembro de 1999, sob o título “Estado mercado e avaliação”, «Foram precisamente algumas dessas estratégias, implementadas pela nova direita, que configuraram o que alguns autores têm vindo a designar como mecanismos de quase-mercado.»
Curiosamente, olhando para a acção do governo do PS liderado por José Sócrates, encontramos todas as estratégias usadas em conjunto, o que se por um lado permite afirmar que o governo do PS é a Nova Direita, por outro ajuda a explicar as enormes dificuldades porque passam os partidos da oposição à direita do PS, ao mesmo tempo que os sinais de incomodidade com a situação aparecem na “ala esquerda” do PS e a oposição de esquerda mantém intacta a sua credibilidade.