A Escola pública de massas é uma “invenção” intrinsecamente ligada à revolução industrial e uma resposta dos Estados-Nação à necessidade de, por um lado facilitar o desenvolvimento da sociedade industrializada, e por outro assumir a tarefa de educar todas as crianças e jovens. Esta era uma tarefa que o Estado não podia confiar às famílias, nomeadamente as de recursos económicos mais baixos, que viam os seus filhos como força de trabalho e fonte de rendimento.
A segunda metade do séc. XX e em particular os anos que se seguiram à II guerra mundial, foram anos de grande desenvolvimento e sucesso desta escola de massas, garantindo às famílias, sobretudo às das classes médias a mobilidade social a que aspiravam.
É desta Escola que normalmente falamos, ou ouvimos falar, quando estão em causa as comparações com a actual Escola pública e as diversas abordagens que são feitas à sua “qualidade” ou falta dela.
Esquecemos, ou melhor ignoramos, que foi exactamente o sucesso da Escola de massas no seu objectivo de alargamento da escolaridade a todas as crianças, que se transformou num entrave a um objectivo que era da escola tradicional, e que é incompatível com essa “universalização do ensino”: a função de certificação e estratificação social.
É por isso que entre os maiores defensores da “elevação dos níveis de exigência” e da “qualidade dos resultados escolares”, encontramos os representantes das classes médias. Pelo mesmo motivo, no debate sobre a “qualidade” da escola apenas se fala dos resultados, da necessidade de mais exames e mais certificação, menosprezando-se os aspectos relacionados com os processos de ensino e aprendizagem, as condições de trabalho das comunidades escolares, ou a avaliação dos percursos de aprendizagem realizados por cada aluno dentro da escola.
Elaborar e publicitar “rankings” escolares, exclusivamente com base nos resultados de exames externos, não permite identificar as aprendizagens feitas pelos alunos fora da escola, com recurso a ajudas externas como explicações, acesso a bens culturais promovidos pelas famílias e outras vantagens não creditáveis à escola.

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