Quem tem memória dos idos de 74/75 e da generosidade e ingenuidade dos tempos do “prec”, lembrar-se-á de que, na altura da fundação da nossa democracia, nenhum partido queria ocupar o espaço da direita. É verdade que havia um tal de PDC e mais algumas tentativas residuais de afirmação “direitista”, mas o mercado eleitoral da altura não era propício a esse tipo de devaneios. A tal ponto que o CDS, fundado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, se apresentava como um “partido rigorosamente do centro”!
De tal forma eram as coisas que a Assembleia Constituinte acabou por ser eleita, de forma esmagadoramente maioritária, com partidos que se reclamavam da esquerda ou do centro esquerda, não tendo um único deputado que defendesse abertamente políticas de direita.
Os anos foram passando (já levamos três décadas de democracia parlamentar) e aos poucos o barco tem vindo a adornar claramente para a direita. A tal ponto, que mantendo-se 4 dos 5 partidos com representação parlamentar dessa primeira Assembleia, hoje apenas um continua a defender políticas que se podem associar a um pensamento de esquerda.
Hoje vemos o CDS/PP transformado num pequeno grupúsculo, liderado por um autêntico “cata-vento”, que tendo filiados uns quantos liberais genuínos, apresenta um discurso profundamente conservador, populista e demagógico; Vemos um PPD/PSD desorientado porque o PS lhe “usurpou” o discurso “social-democrata” e as práticas neo-liberais, o que determina que o seu líder tenha que usar um discurso liberal, tentando parecer mais defensor do estado social do que o seu concorrente.
Confuso? Então para ajudar à confusão, constate-se que o PS que governa, apresentou um programa “social-democrata”, ao mesmo tempo que aplica o receituário da modernidade, da eficiência, da eficácia e da defesa dos valores do mercado, que traduzem no essencial o ideário da direita liberal!!!

Será que não existe solução para toda esta embrulhada partidário-conceptual? Alguns dos “pensadores” que se reclamam de direita (sobretudo os que ou já militam, ou pelo menos gravitam em torno do PS) sugerem a fusão do CDS/PP com o PPD/PSD.
Por mim acho curto e de resto não me parece que seja clarificador. Talvez uma “fusão a três” para construir dois fosse mais aconselhável. Ou seja: pegar no PP, no PSD e no PS que se reconhece em Sócrates, fazendo destes um partido conservador e um partido liberal. Do que restar do PS, a que se poderão juntar alguns PSD’s genuinamente social-democratas, construir um partido social-democrata no ideário e nas práticas políticas.