Passeando pela blogosfera podemos encontrar verdadeiras pérolas, que nos deixam mais atordoados do que se tivéssemos bebido um pouco para lá do razoável.
A última que encontrei, e que de alguma forma se entronca na confusão “partidário-ideológico-conceptual”, que tudo mistura neste Portugal do início do séc. XXI, é a seguinte:
«Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de “alternativos” defensores de teses “fracturantes”.» (perfil de um bloguer assumidamente conservador)
Monárquico e católico é perfeitamente aceitável. Tão aceitável como monárquico e protestante, monárquico e ortodoxo ou até republicano e adventista, ou mormon, ou qualquer outra religião.
Agora, quando subjacente à ideia de monárquico e católico parece estar a ideia de rejeição do socialismo, do comunismo ou de ideologias normalmente associadas à esquerda e ao predomínio do papel do Estado sobre o Indivíduo, torna-se verdadeiramente risível que um opositor dos princípios socialistas se declare intransigente defensor do Estado.
Claro que, pensando bem, em Portugal terra de Stª Maria, esta posição não tem nada de risível, sendo pelo contrário a posição normal. Tanto que Sócrates, um produto perfeito do Portugal profundo (ultramontano e beirão), usando o discurso do socialismo rosa vai fortalecendo o estado, com o beneplácito da maioria do Portugal católico e reverente!