A propósito das negociações entre o governo e os sindicatos de professores, o Ramiro sugere que nos concentremos no essencial, abdicando do acessório.
Como essencial, Ramiro Marques define a defesa do fim da divisão da carreira entre titulares e professores. Como acessório, pensa que se podem aceitar os efeitos do simplex, nomeadamente os que decorrem da atribuição de notações de Muito Bom e Excelente.
Mais uma vez concordo com o Miguel Pinto, não me parecendo de modo nenhum acessório que se aceite o resultado de um processo cheio de trapaças e que, a ter vencimento, apenas beneficiaria governantes autoritários e intransigentes, bem como aqueles professores que não souberam ser solidários e aproveitaram a oportunidade para beneficiar das quotas contra as quais todos lutámos.
Também o Paulo Guinote, num post comemorativo da manifestação dos 120.000, se refere ao “acessório”: «Mas também é preciso que todos ajudemos ou, se não formos todos, pelo menos que a larga maioria saiba distinguir o essencial do acessório.»
Não consigo perceber claramente qual a interpretação que ele faz do que é essencial ou acessório.
Por mim não me parece nada acessório que se aceite que, por efeito de um modelo de avaliação que todos combatemos por o acharmos injusto, iníquo, desajustado das necessidades do sistema, sem qualidade científico-pedagógica e apenas imposto por teimosia e má-fé, venham agora alguns a beneficiar de pontuações extra, em concursos de colocação de professores, ultrapassando dessa forma quem não se vendeu ao inimigo.
Mas isso sou eu que estou no topo da carreira, e que se um dia voltasse a concorrer a outra escola seria para me afastar de casa, já que onde estou apenas tenho que atravessar duas ruas a pé.
O Paulo Guinote acha que é acessório manter os efeitos do 1º ciclo avaliativo:
“Paulo Guinote Says:
Novembro 8, 2009 at 10:23 am
Eu acho que há algo em que não se deve insistir para não criar guerrilhas desnecessárias: deixem ficar os Excelentes e Muito Bons que foram atribuídos em troca da avaliação de quem não foi, ou pelo menos que se lhe não retire o tempo de serviço para a progressão.
Desta vez que tudo seja feito com transparência, sem ninguém a fazer trocas nos bastidores.
Há que sarar feridas.
Há que, ao fim deste tempo, saber que uma negociação é uma negociação e que um dos negociadores não pode ficar com tudo. Essa era a táctica MLR/Pedreira.”
Diz mais ou menos o mesmo que o Ramiro Marques.
Estão ambos profundamente errados, na minha opinião.
A Fenprof nunca irá por aí.
E espero que a FNE também não.
Francisco
Antes de mais parabéns pelo template do teu blogue. Está bonito e funcional.
O que eu queria dizer é que o fim da divisão da carreira merece que se engulam uns sapos, ou melhor, uns reles oportunistas que aproveitaram a confusão para terem menções de mérito.
Gundisalbus,
não tinha lido essa posição do PG.
Como fica claro do que escrevi, discordo dessa posição e nem sequer acho que não aceitar isso seja “ficar com tudo”.
Acredito que a FENPROF negoceie seriamente e que a FNE também o faça.
Quanto ao 1º ciclo da ADD, a solução está num modelo semelhante ao que aconteceu na Madeira. Afinal de contas é apenas mais uma classificação administrativa, tão válida como a dos que se apressaram a correr atrás das quotas válidas.
Além de que, até ver, a Madeira ainda é território nacional, onde muitos professores continentais obtém colocação e somam anos de serviço antes de voltarem a casa.
Ramiro,
obrigado pelos parabéns.
Já começava a sentir necessidade de mudar algo.
Quanto ao resto, que é o sumo da coisa, já reforcei o que penso na resposta ao Gundisalbus.
Abraço.
Só agora reparei com mais atenção na imagem do cabeçalho. Ontem parece que na primeira alteração do “template” (fiquei a conhecer este termo) apareciam umas aves pernaltas. Hoje voltaram os velhos livros, pobremente encadernados, em posição horizontal na estante. Pela composição e cor, a imagem resulta.
Já quanto à mensagem, tenho dúvidas. Parecem Diários da República encadernados nas prateleiras da secretaria da escola, ou de uma outra repartição pública.
Sugiro algo mais de acordo com o espírito reflexivo do blogue. Por exemplo:
http://www.cooperativeindividualism.org/library-books.jpg