… porque ninguém estava à espera de nada diferente.
Apesar dos encómios que o Ramiro faz, não de forma tão militante como o reitor, a verdade é que o programa do PSD para a Educação não só não acrescenta nada ao que os professores esperariam de quem quer conquistar o poder, como nada de essencial irá mudar nas orientações neo-liberais que as agências de regulação supranacionais (OCDE, UE e, eventualmente, BM) preconizarão para o nosso país nos próximos anos. Desse ponto de vista a distinção PS/PSD não passará do estilo mais ou menos dialogante, que separa quem detém o poder daqueles que anseiam por alcançá-lo.
“instituir uma cultura de exigência que premeie o esforço e o mérito”
“atrair os melhores professores para o ensino público, restabelecendo o prestígio da profissão”
À volta destes dois slogans (vazios de conteúdo, porque não clarificam os conceitos chave: “esforço, mérito, melhores professores ou prestígio da profissão), o PSD apresentou-nos ontem um compromisso em 4 pontos.
Não aceitando o anátema de “utopista” com que o reitor apelida os críticos da sua líder, ou de “céptico” com que o Ramiro identifica quem não se curva perante a bondade de MFL, tentarei desmontar o vazio que constituiu o anúncio do programa do PSD para a Educação.
Para não ser demasiado longo, irei centrar-me por agora no ponto 1. Gostaria que fosse explicitado o que se entende por beneficiar “das experiências internacionais mais relevantes”. Será que a comparação vai ser feita com os países do norte da Europa, nomeadamente com a Finlândia de Jorge Sampaio, ou com os modelos de accountability do RU e dos EEUU? É que não é tudo a mesma coisa, e quando se trata de pedir emprestadas as experiências de outros países convém saber do que e de quem falamos.
Ainda em relação a este ponto, a referência ao “esforço” e ao “mérito” necessitam de uma clarificação sem margem para dúvidas. De que forma se vai fazer a avaliação desse esforço e desse mérito? O PSD (e já agora o Ramiro e o “reitor”) tem um “avaliómetro” do esforço e do mérito, que possa ser considerado infalível? Ou vamos decidir que serão os resultados em exames nacionais santardizados a definir quem se esforça e quem tem mérito? Será possível ponderar o ponto de partida de cada aluno? E haverá um factor de ponderação que diferencie quem tem explicações de quem tem que levar os irmãos mais novos ao infantário, porque os pais saíram de casa às 5 da manhã para ir trabalhar?
E estes pais que saem de madrugada, e regressam a casa sol posto, serão penalizados por falta de participação e fraca co-responsabilização na assiduidade e aproveitamento dos seus educandos?
Continuar a olhar para a Educação como um sector isolado do conjunto das políticas sociais, de emprego, de saúde e assistência social, além das políticas de território, é o erro fatal do centrão que governa Portugal desde 1976. É também o pecado capital das políticas neo-liberais que não têm em conta as pessoas e apenas se preocupam com os números e as estatísticas.

E já que falaste no pecado capital das políticas neo-liberais convém ter sempre presente que o PSD não vai rever ou rasgar, ou o diabo que o valhe, o código de trabalho 8)
Esse é um dos diplomas que ela gostaria de ter assinado e agradecerá sempre a Pinto de Sousa.
Debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite será no dia 11 de Setembro.
Estava previsto para o dia 12, mas foi antecipado devido à transmissão televisiva do jogo de futebol Leixões-F. C. Porto.
Palavras para quê?
Gostei da frontalidade, da argumentação e dos temas do blogue. Penso que se pode dizer que pensa por si próprio, à maneira kantiana sapere aude! Continue, eu cá estarei para ler e comentar.
FJ Santos
Não concordo mas gostei do texto. Boa argumentação. Linkei o teu post e também o do Miguel ao post a que fazes referência.
Creio que o primeiro parágrafo diz tudo. O PS e PSD, sem esquecer o PP, são barcos das mesmas águas a atracam nos mesmos portos.
Percebo o seu esforço para desvalorizar o programa do PSD para a educação. No entanto, a sua esquerdite anti-liberal deveria permitir-lhe ver duas coisas:
A primeira é que o programinha “neo-liberal” do PSD responde a todas as reivindicações dos professores expressas nas manifs e greves de 2008 e 2009.
A segunda é que o programa “neo-liberal” do PSD responde melhor – com mais assertividade e exequibilidade – aos problemas que afectam os professores e a Escola que os “credíveis e consistentes” programas da CDU e do BE.
É isto que lhe dói: percebe – e percebem os professores embora, presumo, à maioria destes não doa – que o programa do PSD responde às grandes questões que estão a prejudicar a Educação e a Escola Pública – que lhe é tão cara, estou certo.
E responde tão eficazmente, tão assertivamente e tão plausivelmente que, se até a mim me surpreendeu não me custa acreditar que outros tenham ficado de queixos tão caídos que, até agora, apenas conseguiram tartamudear a cassete “neo-liberal”