Depois do exercício de promoção completamente descabido, que constituiu a convocação da “assembleia geral de professores” nas Caldas da Raínha, para o passado sábado;
Depois do exercício de auto-contentamento, que se traduziu em antecipar o agendamento de uma manifestação nacional, esperando que as direcções sindicais fossem a reboque de quem nem coragem tem para lhes disputar o poder, em sede de eleições no interior das respectivas organizações;
Depois de ficar claro que a Plataforma Sindical vai marcar uma manifestação para data anterior à manifestação da apede e do mup, segundo declarações prestadas po Mário Nogueira ainda hoje;
Resta deixar um apelo para que as pessoas que, no espaço de dez meses, não foram capazes de cumprir as pequenas tarefas a que se tinham comprometido:
- Escrever uma carta-tipo que possa ser assinada por qualquer pessoa, professor e não só, sendo que todos os signatários se encarregarão de a enviar aos principais órgãos de soberania, aos órgãos de comunicação com maior projecção e, claro está, ao Ministério da Educação;
- Escrever uma carta aos encarregados de educação, a ser distribuída por intermédio dos presidentes das associações de pais das diferentes escolas, esclarecendo os motivos do descontentamento dos professores, salientando o impacto das actuais políticas educativas na degradação da qualidade do ensino, e deixando claro que a formação das crianças e dos jovens deste país necessita de uma classe docente motivada, socialmente reconhecida e com condições para exercer o seu trabalho de forma condigna;
- Articular os professores de diferentes escolas de uma mesma zona ou agrupamento, de modo a promover núcleos de acção transversais a vários estabelecimentos de ensino;
- Usar, como forma de resistência no interior das escolas, todos os mecanismos de questionamento relativos ao processo de avaliação do desempenho;
tenham agora o bom senso e a humildade de perceber que o discurso anti-sindical apenas serve para dividir os professores, porque em última instância replica a estratégia ministerial de Maria de Lurdes Rodrigues, Jorge Pedreira e Valter Lemos que, desde que tomaram posse, não se cansam de afirmar que os sindicatos não representam os professores.
Da parte da Plataforma Sindical espera-se que haja a capacidade negocial e o sentido diplomático que permita estender a mão a estes “jovens turcos”, convidando-os a juntarem-se à manifestação que vier a ser marcada pelos sindicatos, permitindo-lhes “salvar a face” antes de voltarem para o galho de que nunca deviam ter saído, para brincar com a banana a que têm direito.
Esperemos que ainda vão a tempo.
Quanto a mim, franco-atirador e eterno descontente, estarei presente sempre que o inimigo a abater for o ministério e as políticas públicas erradas que destroem a escola pública. Porque contra outros professores, mesmo que dirigentes sindicais, recusar-me-ei a marchar. Sempre!
VAMOS A ISSO COMPANHEIR@S
Viva Francisco.
“Diplomacia, bom senso e humildade q.b. é o mais necessário” é isso, parece-me.
Vamos a isso companheir@
Abraço.
Parabéns, pela tua lucidez, coisa que tem faltado a muita gente. Estou sempre a dizer o mesmo, mas há muitos que ainda não localizaram o inimigo, talvez estejam a precisar dum “GPS”!
Não pretendo lançar mais confusão, mas lançar algumas perguntas por tudo isto trazer desencanto num momento em que se vivem momentos difíceis nas escolas. Como já é lugar-comum, sabemos que o tempo para as aulas e para os alunos escasseia, atendendo a este modelo de avaliação e à instabilidade trazida pela legislação. Como sempre me posicionei na escola e publicamente face a toda esta burocracia anti-pedagógica, não me coibo de questionar:
1)- Alguém me sabe esclarecer realmente acerca da forma como foi organizada a “marcha da indignação” de 8 de Março (de “quem” ou de “onde” partiu a ideia que levou à participação de 100.000 docentes)?
2)- Alguém tem conhecimento efectivo sobre um eventual decréscimo do número de sócios dos sindicatos após assinatura do entendimento?
Não encarem estas questões como ironia, mas como a atitude de alguém que gosta de ser/andar esclarecida. É que uma coisa pode ser suposição ou “aquilo que se diz”, outra será ter acesso aos factos para poder fazer uma análise mais racional e menos emotiva.
Inteiramente de acordo. É importante construir e manter a união, reforçar a lucidez e a prudência para não darmos vantagens ao inimigo que nos oprime e contra o qual devemos lutar para salvar a escola pública, o direito a aprender dos alunos e a dignidade dos professores.
Realmente quando os professores pensam pela sua cabeça, falam pela sua boca e andam pelos seus pés, devem ser imediatamente enjaulados! Isso é muito perigoso!!! E vá lá… que ainda temos direito a umas bananitas… já não é mau!
Pois aqui o “jovem turco” não gosta de bananas, nem costuma andar ao “pão por Deus”, prefere outras coisas como a honradez de processos, a liberdade de pensamento, a verdade e acima de tudo… nunca traír compromissos, ou vender a alma ao “diabo”! É que depois o “diabo” cobra! Tu sabes de quem falo!
P.S.1- Oh Francisco, tanto azedume para quê? Ahhh quanto às cartas é um ponto interessante: estiveste lá e tb não as redigiste! Ou já te esqueceste que foste à televisão falar em nome da APEDE, tendo recebido a nossa confiança? As cartas foram ensaiadas, é matéria de grande responsabilidade, e ainda vamos a tempo! Claro que o Mário Nogueira tb não ajudou, pois decidiu escrever uma “carta” com o Ministério, que assinou com mais uns quantos sindicatos e que nos colocou alguns problemazitos, para redigirmos as nossas! Quanto aos núcleos… têm de ser formados nas escolas… na minha escola há um… e na tua?! E quanto a resistirmos no interior das escolas… não temos feito outra coisa (e diga-se de passagem, com sucesso, na minha escola páramos o processo o ano passado e este ano vai pelo mesmo caminho)! E na tua, como vão as coisas?! Já conseguiste mobilizar muitos colegas para a luta activa e resistência à implementação do modelo de avaliação? Recordo-me que estavas muito isolado e com muitas dificuldades nisso!
P.S. 2- E porque ainda consigo conversar ctg, porque estivemos juntos nesta luta, porque estivemos em Constância por uma boa causa, porque ainda me telefonas… como há minutos atrás, porque, no fundo no fundo, não são assim tantas as coisas que nos dividem (tirando os ataques pessoais a outros membros da APEDE, que não te ficam nada bem e uma visão diferente sobre os direitos e deveres dos dirigentes sindicais) estava capaz de te dizer: já chega!!! Discutamos os assuntos com seriedade e elevação! Os teus posts e os teus comentários pela blogosfera não o mostram! E acima de tudo, não me leves a mal, peço-te que não mintas nem sejas intelectualmente desonesto- não há nenhum discurso anti-sindical da APEDE, isso é totalmente FALSO! Não o encontras em nenhum comunicado ou texto oficial, e tinhamos tantas razões para isso… como ainda há pouco te expliquei por telefone! E eu não marcho contra colegas, jamais o farei (nem a APEDE), mesmo que alguns sejam “não-colegas”, marcharei sempre e apenas em defesa da minha honra e dignidade pessoal e profissional, bem como em nome de uma escola pública de qualidade, sem sucesso a martelo, e pelo futuro dos alunos e de Portugal! Porque sou professor, e tenho muito orgulho em sê-lo! E sei reconhecer, mesmo que quem deva o não faça, a importância do meu papel social!
Maria A.
Se bem me lembro (sem ironias) a manifestação de 8 de Março foi convocada pela Fenprof.
Se bem me lembro, num primeiro momento, a maior parte dos sindicatos não filiados na Fenprof não pretendia aderir.
Se bem me lembro, o sentimento dos professores nas escolas e dos frequentadores da blogosfera docente foi de enorme entusiasmo e mobilização.
A certa altura (não sou capaz de precisar quantos dias antes) todos os sindicatos acabaram por aderir.
Ninguém se pôs em bicos de pés, nem ninguém foi excluído da “festa”.
Também ninguém sonhava, mesmo a meio da manhã, que naquela tarde marchariam 100 mil.
Mas isso foi outro tempo e não faz sentido querer fazer comparações.
Ricardo,
não estou interessado em discutir contigo, em público, os meus motivos para ter acompanhado de perto o nascimento da Apede, nem o meu posterior afastamento.
No entanto, porque em público referes alguns aspectos da minha colaboração com a Apede, vou esclarecê-los sem rodeios.
1. Não escondo que dei a cara por algo que estava a nascer e que me pareceu um projecto interessante, porque não me envergonho de o ter feito.
2. Fui de facto à Sic Notícias, na véspera da manif de 8/3, por indicação da Apede (que à data nem direcção tinha).
A intervenção que tive foi na qualidade de professor em luta contra a política do ME, mas em sintonia com o movimento sindical (tenho gravação do programa).
Se não fosse nesses termos não teria participado, mas sempre tive consciência e sempre vos disse, que o “interesse” que despertávamos nos OCS era directamente proporcional à mossa que as nossas posições pudessem previsivelmente provocar nos sindicatos.
3. Pelo menos um texto de minha autoria esteve (não sei se ainda está) disponível no site da Apede. Apesar do meu afastamento da associação não rejeito nada do que lá escrevi.
4. Nos arquivos do meu blogue há algumas entradas anunciando actividades da Apede. Nunca as apaguei porque fazem parte do meu percurso e não sou apologista dos revisionismos “à la carte”.
5. Quanto a “ataques pessoais” a membros da Apede, agradecia-te que os enunciasses e, sendo caso disso, desmentisses as afirmações que classificas como ataques pessoais. Evidentemente que penso ser de mau tom fazê-lo publicamente, mas a acusação é tua, logo o ónus da prova pertence-te. Pela minha parte garanto-te que não fujo à responsabilidade de provar tudo o que me exigirem que prove, a respeito dos textos que assino.
6. Finalmente, uma vez que queres saber como vai a mobilização pela minha escola, direi que os colegas que irão manifestar-se em Novembro, irão seguramente ao lado dos sindicatos. Se vai algum à marcha de dia 15 já não sou capaz de te responder, mas até pode ser que sim.
Eu irei, a menos que me impeçam de levar os símbolos que pretendo ostentar também nesse dia.
Fjsantos:
Nos tempos que correm, pelo menos pela blogosfera, apelar ao bom senso não rende posts.
Aprecio a lucidez e a serenidade, até porque nem sempre consigo mantê-las.
…o “interesse” que despertávamos nos OCS era directamente proporcional à mossa que as nossas posições pudessem previsivelmente provocar nos sindicatos.
Premonição agora observável, ao vivo e a cores. Ainda há ingénuos que se deixam confundir quanto aos interesses subjacentes à maioria dos OCS.
Francisco Santos,
Tenho apelado a todas as pessoas da direcção da APEDE que resistam à tentação de responder às tuas provocações ou que, caso o façam, respondam com elevação, como o Ricardo Silva tem feito. Agora eu próprio te vou responder, porque franqueaste uma certa fronteira e isso não pode ficar sem resposta.
Todos nós conhecemos as tuas divergências com a APEDE, depois de teres feito parte dela. As divergências políticas discutem-se politicamente, e quando os argumentos se situam nesse nível há um mínimo de entendimento possível. Esse é um diálogo que eu estou disposto a travar. O problema é que, em relação a nós (e em relação a mim particularmente), tu nunca foste capaz de expressar os teus desacordos sem os embrulhar na fulanização, no argumento “ad hominem”. Pode ser que tal surta efeito junto de algumas pessoas, e pode ser que seja essa a tua intenção. Mas eu não quero fazer-te processos de intenção. Deixo isso contigo, pois, pelos vistos, essa é a tua especialidade. Quero apenas limitar-me aos factos. E é um facto inegável que não consegues referir-te às posições da APEDE sem imediatamente passares ao ataque pessoal. Poderia explicar-te que, dessa forma, perdes toda a razão que até poderias ter nos teus argumentos. Mas, infelizmente, não creio que sejas sensível a este ponto de vista. Começaste, realmente, por recorrer aos processos de intenção sempre que te referias às iniciativas ou às posições da APEDE, com frases do género «o que eles querem é protagonismo». Como se uma certa tomada de posição tivesse de estar fatalmente ligada a segundas e perversas intenções. É uma falácia trivial e mal intencionada (para além de falsa, como tu muito bem sabes), mas relativamente inofensiva. Recentemente, no entanto, conseguiste descer mais um degrau para um patamar particularmente nauseante, que é o de tentares lançar lama sobre a honradez das pessoas ligadas à APEDE e, em particular, sobre a minha integridade moral, recorrendo a insinuações torpes que vais polvilhando pelo teu blogue e em caixas de comentários de outros blogues. E, com isso, entraste num terreno francamente inqualificável. Ao qual eu até nem sei como responder, pois não consigo operar em semelhante lodaçal. Sabes bem toda a extensão das distorções e das falsidades que andas a espalhar relativamente à minha condição de coordenador de departamento, baseadas, aliás, em várias conversas que tive contigo quando julgava estar a falar com uma pessoa de bem. Sabes bem como é difícil a situação dos coordenadores/avaliadores que tentam, apesar de tudo, resistir dentro das escolas. Sabes que essa situação não se resolve com demissões. E sabes bem que a minha postura não tem sido a que tu andas por aí a descrever. Ao recorreres a juízos de carácter que sabes serem falsos, não estás, na verdade, a falar sobre mim. Mas, em contrapartida, estás a dizer muito sobre ti próprio.
Entretanto, interrogo-me acerca do motivo de tanta raiva da tua parte. Ela seria compreensível se nós, na APEDE, te tivéssemos tratado mal, se tivéssemos sido manifesta ou gravemente incorrectos para contigo. O que aconteceu, pelo contrário, é que te acolhemos no momento da fundação da nossa organização, que nos sentámos à mesa contigo imaginando que estávamos ao lado de um companheiro, que conviveste connosco por vários meses, que te considerámos um elemento importante e válido, e que, no momento que precedeu a tua ruptura, procurámos uma reaproximação. Foste tu que te decidiste afastar, por divergências profundas, é certo, mas onde não havia qualquer motivo para ressabiamentos pessoais. Perante isto, seria natural manifestares as razões das tuas discordâncias, mas sem o recurso àquilo que só posso classificar como golpes baixos. É algo que, na minha maneira de funcionar, não consigo encaixar.
Sei que estas minhas palavras não vão ter, em ti, qualquer efeito nem provocar um sobressalto de consciência. Pelo contrário. Antevejo o sorriso de gozo com que as irás ler, ao mesmo tempo que preparas os novos insultos que despejarás sobre mim, umas vezes nomeando-me, outras vezes deixando no ar uma vaga insinuação. Não posso dizer mais do que aquilo que disse. E prevejo que não possa esperar um gesto de elevação da tua parte.