Maio 5, 2008...9:26 am

A Democracia e o democrata

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Democracia Quotidiana

Na crónica de Pacheco Pereira que referi no post anterior, o autor alerta para o facto de que as mulheres alvo dos despedimentos colectivos se tornarão mães que, em vez de preparar o Portugal do futuro, reproduzirão melhor o Portugal do passado.

Entretanto, o DN de ontem vem também chamar-nos a atenção para a qualidade da democracia no nosso país:

«A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.

O que se passa então com Portugal? Olhando para o gráfico, percebe-se a resposta: de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.»

No entanto os portugueses não precisam preocupar-se, pois um conhecido democrata, um dos pais da nossa Constituição, já explicou que nada disto é para levar a sério e que a manchete do DN é manifestamente enganadora.

É que segundo este ilustre democrata, «o estudo que serve de fonte à referida notícia utiliza uma noção muito abrangente e pouco comum de democracia – a “democracia quotidiana” –, no qual a “democracia eleitoral e procedimental”, ou seja, a democracia política, constitui somente um dos seis itens da grelha de análise.»

De resto, o senhor professor Vital Moreira até vai mais longe, não tendo pejo em afirmar que «É evidente que, sobretudo de um ponto de vista de esquerda, a democracia não se esgota na “democracia eleitoral”. Mas convém fazer as devidas distinções e não diluir a democracia política no meio de meia dúzia de outros critérios democráticos mais ou menos difusos.»

Vindo de um fervoroso adepto e defensor do nosso 1º Pinto de Sousa, ficamos esclarecidos sobre o que o partido da rosa quer dos portugueses - que ponham a cruzinha no sítio e depois que obedeçam… que obedeçam muito e sem pestanejar!

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