Maio 4, 2008...10:39 pm

O Regresso ao Passado, versão centrão!

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Na sua crónica de ontem no Público, já disponível também no Abrupto, Pacheco Pereira fez uma brilhante análise sobre o que significa, nos nossos dias, o despedimento colectivo de centenas de operárias. Fê-lo com um olhar histórico e sociológico, que merece uma atenção profunda de quem quer viver neste país e não está disposto a resignar-se a um retorno ao passado, que julgávamos há muito enterrado:

«Mas nem por não se ter qualquer solução a curto prazo, a sociedade, nós todos, devemos deixar de olhar para cada um destes desempregos colectivos de mulheres sem a preocupação de vermos e sentirmos a devastação que ele tem por trás, o atraso social que isto significa para Portugal. Estas mulheres não vão educar os seus filhos da mesma maneira, vão reproduzir melhor o Portugal antigo do que preparar o novo. Elas sentem que falharam, tinham algumas ilusões que perderam. Mas nós falhamos mais se não temos a consciência de fazer alguma coisa. Porque se pode, na acção cívica, no voluntariado, no mundo empresarial, na política, fazer muita coisa por estas mulheres. O que é preciso é vê-las e à sua condição e não as cobrir com o manto diáfano da inevitabilidade. A começar pelo Governo, que mais uma vez se vai voltar para o betão e não para as pessoas.»

Como Pacheco Pereira bem nota, «estas mulheres não vão educar os seus filhos da mesma maneira, vão reproduzir melhor o Portugal antigo do que preparar o novo.» Infelizmente é para aí que também nos têm conduzido as políticas educativas dos últimos vinte anos: para um regresso ao passado, em que o acesso ao conhecimento, à cultura e a uma educação de qualidade volte a ser privilégio de algumas elites e para as classes trabalhadoras fique assegurada apenas a formação mínima, que as torne rentáveis para o capital.

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