«A arte da guerra ensina-nos a não confiar na possibilidade de o inimigo não se apresentar, mas sim na nossa prontidão para o receber; a não confiar na possibilidade de ele não atacar, mas sim no facto de termos tornado a nossa posição inexpugnável.»
«Existem cinco defeitos perigosos que podem afectar um general:
- A temeridade, que conduz à destruição; (1)
- A cobardia, que conduz à captura; (2)
- O temperamento impulsivo, que pode ser provocado com insultos;
- A honra delicada, sensível à vergonha;
- A solicitude exagerada com os seus homens, que o expõe a preocupações e problemas; (3)»
(1) Ssu-ma Fa observa que: «Caminhar simplesmente para a morte não conduz à vitória»
(2) T’ai Kung disse: «Aquele que deixa escapar uma vantagem atrairá para si próprio o verdadeiro desastre»
(3) Sun Tzu pretende aqui sublinhar o perigo de o general sacrificar qualquer vantagem militar importante ao conforto imediato dos seus homens.

1 Comentário
Abril 16, 2008 às 11:39 am
Algumas considerações sobre o Dia D
Ontem os Sindicatos dos Professores quiseram ouvir quem os elegeu e quem representam, acto normal numa democracia madura como a nossa.
Para tal, quase de véspera, anunciaram que iriam parar as Escolas todo o dia para realizar Plenários Sindicais, o que eu contesto, pois a maioria dos professores põe, como toda a gente sabe, em primeiro lugar a Escola e os seus alunos e não é desta forma que assim que o conseguem, isto para lá do facto de esta situação não nos ajudar no alcançar da necessária solidariedade por parte das famílias e sociedade em geral, que olha com reservas para estas situações.
Mas apercebendo-se dos riscos que corriam, os Sindicatos tomaram algumas liberdades que condicionaram o auscultar da posição dos professores, a saber:
1. Os sindicatos divulgaram o menos possível o dia D nas Escolas (para que servem os placards sindicais) e o horário de chegada de representantes sindicais ou o seu local do plenário – porque seria…?
2. Nalgumas Escolas não houve Plenário nem vontade de o fazer – porque seria…?
3. Muitos professores não leram nada, por manifesta falta de tempo, do que o Sindicato fez (o “acordo que não é acordo” – vulgo Memorando de Entendimento) e a Moção que foi para as Escolas. Em algumas Escolas, quando os textos foram lidos e interpretados, a votação sofreu uma estranha reviravolta – porque seria…?
4. Muitos professores, embora com imensas dúvidas, decidiram dar uma última oportunidade aos Sindicatos e fazer o frete de aprovar a Moção e o “acordo que não é acordo”. Mas expressaram essas mesmas dúvidas e, se as pessoas (os nossos representantes… que lá estiveram não faltarem à verdade, a informação há-de chegar a quem tem de chegar. Porque motivo os Sindicatos não divulgaram essas mesmas dúvidas e questões?
5. Outros ainda, embora votando a favor, propuseram imensas alterações ao texto e votaram moções alternativas para tentar não dividir o que agora se dividiu. Onde poderemos ver esses mesmos textos e sugestões nos sites dos Sindicatos…?
Logo à tarde os nossos dirigentes sindicais, da Plataforma dos Sindicatos dos Professores, irão anunciar uma esmagadora maioria de votos favoráveis ao “acordo que não é acordo”. Irão dizer que os professores estão unidos, quando, apesar dos condicionamentos antes citados, não é bem como eles dizem. E já agora, permitam-me que tome a liberdade de de fazer algumas perguntas que gostaria que Mário Nogueira respondesse logo à tarde, de preferência no ponto 3 da Ordem de Trabalhos:
1. Porque repetiram os Sindicatos a fórmula de fazer faltar às aulas os professores quando estes já demonstraram, sem reservas, que preferem lutar sem prejudcar a Escola e os Alunos?
2. Porque não divulgaram convenientemente os textos (Moção e Plataforma de Entendimento, que muitas Escolas e Professores tiveram de fotocopiar durante a Renião às suas custas) a analizar pelos professores?
3. Porque optaram por uma Moção cujo texto era longo, críptico e se afastava do que assinaram?
4. Porque não divulgam as considerações que muitos professores colocaram em anexo à sua votação e as moções complementares também aprovadas?
5. Porque não se fez, em cada estabelecimento de ensino, uma simples folha de papel, com a lista de professores da Escola, em que estes colocam uma cruz no Sim ou no Não de apoio ao “acordo que não é acordo”?
A luta dos professores continua a ser a mesma mas não é com estes contributos dos Sindicatos, que vão vão assinar um acordo em que nada de substancial é ganho pelos professores e se compromete o essencial da nossa luta, que lá iremos.
Há que recordar o que é essencial (Ensino Especial, Estatuto do Aluno, Gestão das Escolas, ECD, divisão dos docentes em professores de 1ª e de 2ª, tempo de serviço para Reforma dos Professores, verdadeira Formação dos Docentes) e o que é acessório (avaliação dos contratados, que já estava assegurada, e novo escalão para uma minoria de professores de 1ª, que já estava garantida pelo aumento do tempo de serviço antes da reforma).
Há que recordar que um senhor chamado Pirro também obtinha vitórias destas – e que as pagava bem caras… Os professores irão recordar por muito tempo esta vitória, pois têm memória e sabem contabilizar o que se ganha e se perde com este “acordo que não é acordo”…
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