O ministério da educação tem, desde o início da sua governação, apostado na divisão que tradicionalmente existe entre os professores.
É geralmente aceite, por quem conhece minimamente o sistema educativo, que a unidade da classe docente é pouco mais que uma utopia. Mesmo num momento quase mágico como foi a manifestação de dia 8 de Março, em que mais de dois terços dos professores desfilaram em Lisboa, ficaram ainda de fora cerca de 30 mil docentes. Muitos não participaram por motivos pessoais perfeitamente atendíveis, fosse por impossibilidade de se deslocarem a Lisboa, fosse porque outros afazeres não lho permitirem. Mas ainda assim ficaram de fora uns quantos milhares porque defendem a ministra e os seus dislates, ou porque pretendem assegurar um lugar à sombra do poder socratino.
Ao que ainda é necessário juntar o facto de que o que uniu todos aqueles professores foi a oposição às políticas educativas erradas e determinadas por imperativos economicistas. Porque na hora de ter posições mais pró-activas e de apontar caminhos novos, será muito mais difícil encontrar a unidade entre dezenas de milhar de pessoas com percursos formativos, experiências de vida e interesses muito distintos.
As reuniões do ME com os CE’s, em que a par de um conjunto de exigências são oferecidas algumas contrapartidas aos executivos e aos coordenadores-avaliadores, inserem-se numa estratégia divisionista desde sempre usada pelos poderes totalitários: dividir para reinar. Compensações económicas e de horários aos membros dos conselhos executivos e aos avaliadores têm um nome claro: compra da dignidade por parte de quem oferece; venda de um serviço por parte de quem aceita.
O que isto significa é que quem se deixa corromper desta forma não tem legitimidade para o exercício de uma função educativa, que deve privilegiar os valores da cidadania. Nesse sentido, todos os professores devem recusar-se a reconhecer como seus pares os CE’s e os Coordenadores-Avaliadores que pactuarem com esta estratégia divisionista do ministério. E devem denunciá-los publicamente, exercendo o direito cidadão de desmascarar quem se vende ao poder por um prato de lentilhas, oferecendo de caminho o sacrifício dos colegas que os elegeram.

1 Comentário
Novembro 21, 2008 às 6:51 pm
its great, thanks