Março 24, 2008...2:05 pm

Escola, Autoridade e Disciplina – uma incursão pelo pensamento político associado às opiniões expressas sobre o assunto do telemóvel

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Fazendo mais um périplo por alguns blogues, da esquerda à direita, desde as visões mais libertárias até às mais castradoras e caceteiras, é possível encontrar verdadeiras pérolas que explicam, não só um certo modo de ser português, mas sobretudo as causas do êxito e aceitação popular dos “líderes fortes” do tipo “grande estadista”, como são os casos de Oliveira Salazar, ou apenas candidatos a um lugar na História como Cavaco Silva ou Pinto de Sousa.

Como brevíssima amostra, sugiro o pequeno exercício de destrinça entre o pensamento de Mário Machaqueiro via Anovis Anophelis:

Os nossos jovenzinhos estão cheios de potencial; as malvadas das “condições sociais” é que os tornaram assim: não uns energúmenos a quem se deve dar um par de tabefes, mas uns coitadinhos que representam a “diversidade social” que a escola deve acolher.

ou de João Gonçalves via Portugal dos Pequeninos:

A “menina dos cinco olhos” ou a velhinha régua nunca fizeram mal a ninguém. Muito menos uma bofetada dada a tempo, para parafrasear o Doutor Salazar.

Será que pensam o mesmo, ou é só uma aproximação de linguagem, sem que disso tenham consciência?

2 Comentários

  • Mário Artur Machaqueiro

    Francisco,

    Chegado agora do estrangeiro, deparo-me com a “pérola” – a expressão é tua – deste teu “post”, que é de uma desonestidade intelectual a toda a prova. Nem sequer me vou dar ao trabalho de comentar ou de responder à aproximação abusiva (ou ofensiva) que fazes, nem à interpretação delirante que pretendes extrair de um excerto que, note-se, não pertence a um texto simplesmente citado pelo Francisco Trindade, mas a um comentário que fiz a um teu “post” anterior. A tua devoção pela cientologia da educação começa a cegar-te e a levar-te a recorrer a métodos pouco recomendáveis para atacar quem discorda de ti. Como o fizeste de uma maneira pública, estas minhas palavras também são públicas. E devo dizer-te, com muita pena minha, que perante isto começo a interrogar-me seriamente sobre futuras colaborações contigo. Pensando bem, talvez seja isso que tu pretendes…

  • Mário,
    E o desonesto sou eu, hein???
    As palavras são tuas, assinadas e repetidas, não só no post a que te referes, mas também noutros de tua autoria.
    Quem afirma que a escola que existe persegue uma «imbecilização colectiva», por oposição à escola «emancipatória» de que falas (sem que concretizes mais do que uma ideia de “autoritas” professoral), és tu.
    E depois, do alto da “ciência boa” que aparentemente será a tua sociologia, atiras-te que nem gato a bofe, à “cientologia da educação”.
    Talvez um pouco de moderação e menos arrogância não ficasse mal.
    Incomoda-te teres que tomar consciência da proximidade entre o teu discurso e o discurso liberal de gente de direita como João Gonçalves? A mim incomodaria por certo. Só que a receita que seguiria nesse caso seria repensar o meu próprio discurso e não ficar ofendido, qual virgem rasgando as vestes, com quem tem a frontalidade de te apontar a incoerência entre os ideiais proclamados e as ideias defendidas.
    Afinal de contas a cara que aparece regularmente a falar da APEDE é a tua e ligar esta associação nascente a frases como: «Os nossos jovenzinhos estão cheios de potencial; as malvadas das “condições sociais” é que os tornaram assim: não uns energúmenos a quem se deve dar um par de tabefes, mas uns coitadinhos que representam a “diversidade social” que a escola deve acolher.» é limitar à partida o seu campo de intervenção.
    Entre os profissionais da educação existem muitos motivos para nos unirmos contra alguns “inimigos externos”, como é o caso da equipa ministerial que desgoverna a educação. Mas dentro desse mesmo campo há ainda mais motivos para debates extremamente duros em torno de propostas positivas para defender a Escola Pública de Massas. Esse é sem dúvida um ponto de ruptura que só poderá ser ultrapassado através de um debate inteligente e sem pedras escondidas na mão, ou “pré conceitos” que enviesam a discussão.
    Por mim, para continuar a pensar positivamente as propostas para o futuro, preciso de atender à investigação e aos dados empíricos existentes sobre Educação. Para continuar o debate na base do senso comum, fico-me pela leitura dos cronistas mediáticos e pelos debates para a populaça que as televisões nos oferecem.


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